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Grupo Aliança Bagé aponta descaso e cobra prazos, respostas e ações imediatas do governo municipal

Quinta-Feira, 25 de Junho de 2026, 11:20h
ACIBa - Associação Comercial e Industrial de Bagé
ACIBa - Associação Comercial e Industrial de Bagé

Na última terça-feira, em uma das noites mais frias do ano, o auditório da ACIBa esteve lotado durante quase três horas por representantes das 11 entidades de classe que integram o grupo Aliança Bagé. Composto pela ACIBa, OAB Bagé, CDL, Sindilojas, APATUR, NEAB, CREA, ABEA, FEDERASUL e SECOVI ZONA SUL, o grupo, criado em março, é um movimento que foi estruturado para unificar pautas do setor produtivo e cobrar soluções para o desenvolvimento econômico, urbano e social da cidade.


Para a ocasião, o grupo convocou o vice-prefeito e secretário de Desenvolvimento Econômico, Gilberto Alagia, para um encontro em que a sociedade civil teve a oportunidade de cobrar ações prioritárias, além de solicitar prazos para a resolução de problemas recorrentes que impactam diretamente o desenvolvimento da cidade.

Entre os questionamentos levantados esteve a situação do patrimônio histórico da cidade. “Queremos esclarecimentos sobre o laudo referente ao levantamento dos imóveis tombados, cujo prazo de conclusão dos trabalhos, previsto pela prefeitura, deveria ter sido em janeiro de 2026. O trabalho sequer foi iniciado, evidenciando mais um atraso em uma pauta considerada fundamental para Bagé”, reclamaram.

Outro assunto que gerou forte debate foi a questão da ocupação dos vendedores ambulantes. “Sabemos que não há fiscalização e nem aplicação de medidas efetivas para garantir o cumprimento de legislações vigentes que envolvem a acessibilidade e a utilização inadequada dos espaços públicos, que ocorrem nas principais ruas da cidade”, apontam.

“Já percorremos todos os caminhos, buscamos diálogos e tudo isso está documentado, e se tivermos que entrar com ações civis públicas, certamente iremos fazer”, declararam. O ultimato sinaliza que o Grupo Aliança não aceitará mais promessas vazias. Diante da inércia fiscalizatória que degrada o centro da cidade, a judicialização surge como o caminho inevitável para forçar o cumprimento das leis de acessibilidade e mobilidade urbana em Bagé.


Desabafo dos participantes 


Ao longo da reunião, empresários, lideranças e representantes das instituições presentes relataram inúmeras situações que refletem o descontentamento com a atual realidade da cidade. Inclusive, um servidor público, presente na reunião relatou as dificuldades tanto de veículos, de equipamentos e de mão de obra para que o inventário seja feito, sendo que o necessário para concluir o serviço em um ano, seria uma equipe de sete pessoas. Os depoimentos reforçaram a percepção de que Bagé enfrenta desafios que exigem mais do que promessas: demandam planejamento, gestão eficiente e vontade de aplicar as ações corretas. 

O Grupo Aliança, em março, entregou um ofício direto ao prefeito Luis Fernando Mainardi exigindo respostas para demandas urgentes e prioritárias. Eles apontam que, até agora, o que se vê é a falta de ações efetivas por parte do Executivo. Medidas básicas e cruciais, como a contratação de profissionais para o levantamento de dados do patrimônio histórico e a locação de um imóvel para a realocação dos ambulantes, não avançam, evidenciando o descaso com os problemas da cidade.

 O encontro deixou evidente que as entidades seguirão cobrando o poder público, já que o desenvolvimento de Bagé depende de decisões que saiam do papel e se transformem em resultados concretos, capazes de apoiar quem fomenta a economia, paga impostos, investe e gera empregos na cidade.


Posição do vice-prefeito


Alagia reconheceu as críticas e explicou que a gestão pública é diferente da iniciativa privada. “Ela é lenta e burocrática, com muitas nuances, muitas demandas que não é apenas a boa vontade que vai resolver. Não conseguimos passar por cima das etapas que têm que ser cumpridas”, reforça.

Sobre o empobrecimento da metade sul, Beto explicou que a Rainha da Fronteira mostra o reflexo da realidade do Brasil. “Nós temos uma renda per capita baixa, onde quase a metade da população de Bagé, cerca de 50 mil pessoas, é beneficiada com a distribuição de 13 mil Bolsas Família. Isso significa uma pobreza muito grande no que se refere a uma cidade de 117 mil habitantes". Como ex-presidente da Aciba, ele diz que a única forma de melhorar esse cenário seria um desenvolvimento regional baseado, fundamentalmente, na agroindústria, e a importância dos benefícios fiscais. Ele defende que as entidades sigam se posicionando, pois estão no seu papel em defesa de suas classes.

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